du K.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
The short black hair.
Eu olhei para ela. O cabelo preto curto.
Comecei a imaginar se teríamos futuro juntos. Talvez sim. Talvez não.
Ela dançava bem. Um pouco desengonçada, é verdade. Mas adorável. Eu não acho que aquele era o tipo de música preferido dela, mas isso só a torna mais interessante. Sabe - aquela garota que não se incomoda com muita coisa, contanto que esteja com amigos e se divertindo. Jazz, blues, folk talvez. Eu apostaria que é isso que ela ouve quando está sozinha.
Bebendo cerveja. Bom. Todo amante de cerveja precisa de boa companhia. Levemente bêbada. Bom também. Toda vida precisa precisa entrar em modo espera às vezes.
O sorriso. Incrível. De vez em quando, a amiga dela falava algo em seu ouvido, gerando risadas sinceras. O usual, mas muito bem apresentado. Dentes brancos, covinhas na bochecha.
Foi um intervalo breve de tempo, mas ela era perfeita.
Tão perfeita que a escolha segura foi mesmo não falar nada.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Amor lácteo
I
Ainda que a razão você me furte
Me obrigo agora a explicar
Um amor que é feito iogurte
Desafia o limite para amar
II
Na mesa que se faz o desjejum
Na bebida que me faz apenas um
A embalagem se apresenta por vazia
Olho de lado e afasto-a na pia
Vamos em frente ao suco e o café
Parece bom matarmos esta sede
Transar a vida para se manter de pé
Mas repare agora que escorre na parede
O amor nos mostra outra fé
E somos nós deitamos numa rede
III
Ainda que me culpe o coração mole
Vendo em nós os derivados do leite
Nossa embalagem sempre há um outro gole
É bem justo que se aproveite
bk
bk
domingo, 11 de agosto de 2013
dor e delícia
O jogo de bola com os amigos;
e a perna que te mata no dia seguinte
Numa cervejada bem querida,
que de manhã haja aspirina
A perfeição da bailarina
esconde a tortura dos pés tortos
Meu Flamengo só me dá alegrias, é verdade -
e não negamos a angústia de uma derrota maldita
E o cigarrinho depois do café da tarde
sabe fácil o mal que lhe faz
Aquele olhar do filho que encanta
resulta dos nove meses do sofrimento abençoado
Uma feijoada bem carregada, que delícia!
A indigestão bate sem dó
Domingo lindo de praia e sol;
e a pele ardida de segunda incomoda
Ao sabor do reencontro
é intrínseco o desespero da saudade
Hum, venha cá.
Ora, meu bem
Se tudo que é prazer vem com uma dose de dor
Por que insiste em reclamar das lamúrias do Amor?
bk
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Engraçados, os Homens
Engraçados, os Homens
Eles tem medo da morte
Mas também não querem ser velhos
Aceite-os ambos, Homem
Morrer ou ser velho
E se não puder
Escolha sabiamente
A mim, em particular
Por muito prefiro:
Que venham as rugas
e esperem as minhocas
.
.
.
.
.
bk
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Colonização cordial
Foi importante o amor difícil
Para que fosse fácil da noite pro dia
reconhecer quando o próximo fincasse.
Aquele que, no coração, arrisca tremular
e o último, rebaixa a meio mastro.
Anuncia, em forma de homenagem,
que estas terras, agora, tem novo dono.
O interno, então, se deixa colonizar.
Floresce novas jazidas de emoção,
a serem exploradas com carinho.
O antigo proprietário,
que há muito abandonou as minas de amor,
olhará para trás com pouco dó.
Se for grande, exaltará;
se for pequeno, ressentirá;
mas no caso de ser grande e triste,
enfrentará o penar.
A bandeira puída (sem vida)
será recolhida.
Maldita, será guardada nas lágrimas
daquele que não soube explorar a quem deixou.
Mais grave, não se colocou disposto
a ser sugado pelo o que vale a pena drenar.
Dito isso,
sem pena mas com coração,
entoemos o hino funéreo de uma vez por todas.
Vamos chorar pelos que vivem sem amor.
b.k.
domingo, 26 de agosto de 2012
Assinar:
Comentários (Atom)