Nasceu em um berço de intolerância e cresceu cercado de intolerantes. Desde pequeno, acostumou-se a conviver em um ambiente marcado pelo rancor e violência, sendo obrigado a se esquivar do jeito que podia das retaliações que vinham de todos os lados. As agressões morais eram constantes, as físicas tão recorrentes quanto. Perguntava-se com freqüência que tipo de mundo queria viver. As respostas não surgiam, eram inalcançáveis. Da forma que encontrava, seguia seu rumo. Às vezes, fechava os olhos para as barbáries que lhe perseguiam; quando o fazia, elas achavam um meio de invadir seus pensamentos. Era impossível fugir daquilo que, com o tempo, foi tomando contornos de normalidade.
Quando criança, tinha medo; gostaria de mudar as coisas. Na adolescência, buscava ser indiferente - tentava ignorar o seu cenário de existência e levar uma vida senão tranqüila, o mais natural possível. Na medida em que crescia, percebia que a indiferença era utópica. Se envolver seria inevitável e, acabou admitindo, necessário. Estudava a história contada pelos seus semelhantes. Tomava dores de outras gerações. Via crescer dentro de si um sentimento de ódio e nada fazia para suprimi-lo. Quando homem formado, radicalizou-se. Não viu outra opção, precisava entrar na luta. Primeiro, entrou politicamente. Depois, pessoalmente. Por fim, partiu para a violência.
Hoje, vendo a si mesmo, compreende ser a mesma figura que o rodeou e o amedrontou na infância. A mesma que repudiou na adolescência. Mas não se arrepende. Analisando o meio em que cresceu, as pessoas com quem conviveu e a hostilidade constante a que precisou se adaptar, apenas uma pergunta lhe vem à cabeça.
Como haveria de ser diferente?

Nenhum comentário:
Postar um comentário