Saí de casa procurando por ela. Flanei por aí, sentindo o vento gélido das ruas – nem sinal. A cidade começava a movimentar e eu, ingênuo, achava que estavam todos atrás dela. Besteira, tinham suas preocupações cotidianas. Eu era o único aficionado; possuía o fervo do novo amor. Andei e andei até o calor escaldar minha testa. A cada passo que dava ao norte, ela parecia se distanciar ao sul. Tive que esperar um refresco na cuca. Aquela ausência já não me fazia bem, tinha medo de enlouquecer. Só fui à procura de novo quando a brisa fresca se anunciou e a maresia começou a cheirar. Bons sentimentos retomavam, agora que a visão já estava falhando. Passei sorrateiro pelas ruas e, na virada de um casebre, avistei. Ela! Estava longe e tímida, mas só de vê-la tudo ficara mais fácil. Sorri – ela retribuiu. Continuei andando, a espera do encontro. Beijei-a com o carinho dos verdadeiros amores. Ela tinha a beleza de donzela no momento. Namoramos e rimos até quase o virar do dia, quando ardemos nossa paixão feito loucos no cio. Depois, junto dela, admiramo-nos nas mais belas companhias, fingindo ser eterna nossa presença.
Até que, perto do clarear, ela anunciou sua saída. Primeiro, tive raiva, então me abati profundamente. Foi ela se afastando e chorei até perdê-la de vista. Tomado por uma tristeza indomável, vendo a cidade acordar novamente, olhei para o céu e esbravejei, “Ó lua minha, por que vais e voltas todos os dias. Para que eu morra devagar perante o sol; e me faça acreditar o amor ao anoitecer...”
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b.k., 14/09/11
Um comentário:
Como é possível estar apaixonada pelo poeta ?! ... sem ao menos conhecê-lo....paixão por suas palavras e sentimento
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