segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Epistola da falta que tu me fazes.

Ma chérie,

Escrevo-te com o pesar da saudade dilacerando meu peito. Os oitenta e quatro dias que passei sem ti me fazem ver a tua imagem em cada objeto que perpassa minha paisagem. No verde das folhas, vejo teus olhos frescos me fitando; o azul destas águas me lembra tua serenidade e como ela me falta nesta turbulência que minha vida se tornou; a lua (a nossa lua!), ora é tua pele macia, ora teu confortante seio alvo. Cada brisa que me toca a face desperta a lembrança do teu tato. Ma belle, me pergunto todos os dias se pensas em mim como penso em ti. Estas terras estrangeiras tiraram a alegria do nosso amor. Lembras como fomos felizes, chérie! Lembras como ignorávamos as tristezas e andávamos a viver nosso amor? Era só ele que bastava. Ele! Amor, será que ainda vamos curtir a meninice de nosso namoro como antes? A ardência noturna de nossa paixão? Minha flor, achas sinceramente que voltaremos a ardê-la? Quase morro ao pensar em nunca mais sentir teu sopro quente na minha orelha. Que falta me faz tua boca!

Meu bom amor, preciso dizer-te que me perdi na falta de calor há poucos dias. Confesso-te como um pecador patético que busquei um toque na noite suja que a frieza desta cidade esconde. Esvaziei minha tensão no corpo de uma ninfeta cuja artificialidade me deprimia. Tenho nojo de mim mesmo desde que gozei minhas infelicidades naquela mulher. Mas, meu amor, meu grande amor! Era tu que eu procurava no olhar daquela puta triste!

Darling, não é o perdão que espero obter de ti. Quero somente que compreendas como tua ausência me faz mal. Como me devora por dentro e arranca minha vontade de viver. Como me transformei em um ser ridiculamente atormentado.

Gostaria tanto de finalizar esta carta com uma data de retorno, mas prevejo não estar nem perto disso. Estou receoso de que nossa relação se torne uma eterna distância. Não poderia agüentar uma eternidade de angústia, não com a constante ânsia de te encontrar. Amor, minha alma morreria antes do que imaginas.

Pingo estas palavras com o sal de minhas lágrimas, mas creio ser inevitável tomar o rumo que tomarei nesta carta melancólica. Ma chérie, necessito cortar o fio que me leva ao teu coração. Meu amor por ti agora é um tumor que ameaça minha existência. E, como se faz com os cânceres malignos, preciso arrancá-lo antes que se alastre pelo meu corpo e me destrua.

Minha querida, tenho a mais absoluta certeza de que a dor será uma infinidade maior em mim. Termino esta relação não pelo bem de nós dois, mas por um mal menor nos nossos corações. Espero que esta tentativa de diminuir o sofrimento não defina de uma vez a minha tragédia.

Meu maior amor, aguarde outra carta para breve. Se ela não chegar, é porque não agüentei e fui esperar-te na outra vida.

Do teu e somente teu.



Bernardo Kircove


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(Com o perdão do jabá)

8 comentários:

Taise Parente disse...

cara, mto lindo seu texto! serio msm....agora, curiosidade despretensiosa que nem precisa ser respondida se nao quiser hahaha, pq sao smp 84 dias?

Miah Campos disse...

Amigo Carioca...

Sem palavras depois de ler esse texto ;D
Mandou mais que bem meo!!
Parabéns!

Bjos e mais bjos

=*

Anônimo disse...

agora sim fez meu dia! :)

BernardoKircove disse...

quem precisa de críticos?
haha

a propósito, os 84 dias são do 'velho e o mar', um livro bacana que eu recomendo!

Unknown disse...

Ai BK, ler isso sexta-feira a noite causa até uma certa depressão! To quase chorando aqui! rsrsrs
Se faltava meu comentário, esse vale para todos os textos que eu li até agora... são lindos! Todos maravilhosos! Parabéns viu!
Eu desconhecia essa sensibilidade toda! rsrs
Bjs querido!

Unknown disse...

serio, nao é possivel escrever textos assim sem estar apaixonado.

precisamos conversar!

auhuhauhauhauhauhuha

vou repetir o de sempre, cara:
segue nessa carreira que voce tem MTO futuro.
Pessoas com o seu dom pra escrita sao rarissimas!

Unknown disse...

Caraca Barroso roubou meu comentário.. Não é possivel be, quem é a dona dessa inspiração toda?!
parabens textos lindos!

Anônimo disse...

"Il était une fois un vieil homme, tout seul dans son bateau...
En quatre-vingt-quatre jours, il n` avait pas pris un poisson."
Le vieil homme et la mer